terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um amor profundo como o Inferno

Deitei-me sobre o sangue
Que escorria de ti
Vivi ao morreres
Morri ao sentir que te perdi

Mas que sangue este
da mulher que amo
e que sofrimento
quando em vão por ti chamo

Matei-te sem pensar
Com estas mãos de fera
E com a mente a definhar
Neste rio de espera

Sei que já não vens
E nas águas do sofrimento
Aqui me tens
No pensamento

Os uivos que solto ao vento
Não mais os poderás ouvir
Perdeste o alento
Sinto que vou partir

Que razões de Dante tive eu
Para te estrangular
E é já por desígnios do Céu
Que  vou acabar

Pensamos que este amor louco
Enorme fosse para este mundo
Julgamos o mundo pouco
Para nosso amor profundo

O mesmo pensaste amor
E aceitas-te partir
Com a condição superior
De eu partir a seguir

Mas agora que te acabei
Sofro e definho em vão
Capaz não sei se serei
De cumprir a condição

Mas se morto eu já estou
A condição está cumprida
Então vou
Viver a minha vida

Porém a verdade perdura
Sem a poder contrariar
Se quero nossa alma pura
Terei mesmo de acabar

Adeus mundo
Amor da minha sorte
Pela felicidade ao fundo
                  (Por ti meu amor!)
Cruzarei as fronteiras da morte

(sem título)

Ao erguer-me senti colados na humidade de meus lábios, grãos de areia, de ter beijado o chão que tu pisaste. Foi nesse momento que senti o sabor salgado daquela praia que ainda hoje trago comigo, tão amargo o gosto de te ter perdido...